Poemas

epístola da liberdade

– 18/03/2015
Gaivota

Foto: Gustavo Espíndola – StockSnap.io

 

a alvorada ostentou

um dia de vento, chuva

e muitos raios queimados

 

o vendaval fazia penacho na cabeça das aves

o frêmito emudecia as cantigas do amanhecer

 

na relva

o pássaro

com o bico

apontou o céu

abriu as asas

e se lançou explosivo no ar

rasgou o vento com a ousadia do desterrado

projétil vigoroso

parecia querer alcançar o zênite

 

então,

delineada a ordem,

singrou austero

nos feixes de luz

e nas nuvens que esvaeciam feito brumas

 

tutor das plumas solúveis

pousou altivo

no patronato

das aves domesticadas

 

a gota d’água não se sustenta

nas asas

do pássaro silvestre

 

Geraldo Lavigne de Lemos é membro da Academia de Letras de Ilhéus. Autor dos livros À espera do verão, amenidades e alguma sinceridade.

 

Texto publicado na edição 1 da revista Eels.

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