Entrevistas

Enio Roberto

Em entrevista feita por e-mail, o escritor fala sobre o seu livro de estreia, influências e oficinas literárias

– 21/10/2010

Nascido em Porto Alegre, no dia 13 de novembro de 1955, o escritor Enio Roberto é formado em Direito, mas frequentou algumas aulas do curso de Letras. Trabalhou vários anos como advogado. Casado e pai de quatro filhos capricornianos, o autor participou de algumas oficinas literárias, além dos seminários da crítica literária Lea Masina, que é a principal incentivadora de Enio.

Mar quente é o primeiro livro em seus dez anos de atividade. Segundo o escritor, a principal razão que o levou a publicar a obra foi “a busca de respaldo para a fundação de uma oficina, a modesta escolinha literária dirigida para alcoolistas e toxicômanos carentes que estou criando entre dois municípios do Rio Grande do Sul”.


O que o motivou a escrever textos literários?
O cumprimento de um acordo com o psiquiatra. A fim de que meu tratamento para o transtorno de humor funcionasse, eu tinha de optar por uma atividade que requeresse, diariamente, tempo e atenção.


Por que o seu primeiro livro se chama Mar quente?


Praia da cidade vietnamita de Nha Trang

Praia da cidade vietnamita de Nha Trang. A experiência vivida por Enio Roberto no local serviu de inspiração para o nome de seu livro de estreia.


Mar quente é alusivo ao Mar da China Meridional. Há muitos anos, um helicóptero que me transportava até Da Nang precisou fazer pouso forçado. Devido a um casarão branco que retenho até hoje na memória, assim como a existência de salinas por perto, arrisco dizer que o lugar era Nha Trang (em português equivale a “casa branca”). Aterrissamos na praia. A água encrespada indicava mar frio, a febre alta que me acometia, devido a um ferimento, dava a sensação de baixa temperatura no mar. Minutos depois, deixei uma onda me pegar na altura dos joelhos. Para surpresa, achei a água quente. Muito quente.

No conto “Em algum lugar do meu passado”, levo o personagem a instalar-se numa enseada. Com ele, a dúvida entre continuar seu casamento ou dedicar-se ao novo amor que ali surgia. Ao longo da narrativa, dá para deduzir que certos fatos não passam de alucinações do nosso infeliz protagonista. Devido ao seu abalo emocional, que equiparo ao meu de décadas atrás, nominei a praia, e o hotel em que o personagem se hospedou, de Mar Quente. Daí, até a coisa virar título, foi um pulinho.


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